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Palavra de Bailarina

Para além de dançar o Mundo, gosto de escrevê-lo

Ter | 05.06.12

De uma vez por todas



Não venhas fazer de mim a má da fita. Não me venhas tratar como uma criminosa, nem te trates a ti próprio como a vítima (é triste de ver).
Foram quase 4 anos, em que na maior parte das vezes tudo foi maravilhoso. Não há dúvidas algumas acerca disso. Fizeste-me acreditar no amor. Foste o meu melhor amigo, o meu namorado, o meu mais que tudo. Foste o Mundo para mim. Fomos os melhores. A excepção à regra. Passámos por todo o ensino secundário de mão dada, amor nos corações e mil planos para o futuro. Queriamos tanto realizá-los que ás vezes pedíamos a Deus que fizesse o tempo avançar apesar das consequências. Lembras-te? Queriamos casar, ter filhos. Nunca precisei de ser uma "party animal", nem tão pouco me interessava isso. Tinha-te do meu lado, e mesmo naquelas noites de loucura e bebedeira em Albufeira, deixávamos os nossos amigos nos bares até de manhã e vinhamos para casa mais cedo para gozar da companhia um do outro. Não havia melhor do que isso. Sermos felizes lado a lado, sermos nós mesmos. Mas algo falhou... alias, foi falhando.
Discussões todos os casais têm. Palavras que magoam, actos que repugnam, tudo faz parte. Mas a tua falta de confiança em mim, esse teu lado doentio... era desnecessário. Foste enchendo o meu saco. E eu fui aguentando porque te amava, e porque um amor tão único e tão verdadeiro nunca acabaria por tão pouco. Engolia e respirava fundo, porque para não basta amarmos as qualidades, mas também saber amar os defeitos.
Sempre fui um pouco mais independente do que tu alguma vez foste. E isso ofendia-te, muitas vezes sem eu saber porquê. Por seres Homem e eu Mulher? Achavas o quê, que a minha independência significava amar-te menos? Foram TANTAS as vezes que te tentei tirar essas ideias estapafúrdias da cabeça, tantas que lhes perdi a conta. Tantas que começaram a tornar-.se automáticas, deixaram quase de ter significado. Deixaste de me ouvir. Deixaste de acreditar. E com isso, fizeste com que eu deixasse de acreditar também. Sem te aperceberes, deixaste de acreditar em nós bem mais cedo do que eu. Mas preferiste continuar a fazer de mim a que nao sentia. A que não se esforçava. A que já não queria saber.
Nunca vais entender o quanto tudo isso era mentira, até ao momento em que se tornou uma verdade que tu forçaste.
Não escrevo este texto com o objectivo de inverter os papéis, de fazer de mim a vítima. Porque na minha opinião, nunca houve dois lados. Sempre me disseste: "Somos um só". Esqueceste-te foi de aplicar as tuas proprias palavras na hora de julgar.
Não és mais culpado do que eu. Mas eu também não sou mais culpada do que tu. Ambos temos a nossa quota parte de culpa, bastante bem distribuída.
E é isso que quero que entendas de uma vez por todas.
Amei-te todos os dias da minha vida. Mas deixaste de valer a luta, a partir do momento em que desprezaste os meus esforços e me transformaste num Monstro a teu ver. Não mereço isso, e tu não mereces amar alguém que te faz sofrer, certo?
 
Por isso pára de me culpar, sê um homenzinho e levanta a cabeça de uma vez por todas.
Se tivesses perdido mais tempo a tentar resolver as coisas em vez de arranjares maneiras de fazeres de mim a "culpada de tudo e nada", talvez o desfecho tivesse sido diferente.
Desculpa dizer-te que hoje agradeço que não tenha sido.