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Palavra de Bailarina

Para além de dançar o Mundo, gosto de escrevê-lo

Sab | 21.10.17

Ser professor que pensa fora da caixa (um desabafo com verdade)

Há medida que vamos crescendo e, por acaso, nos tornamos professores (seja do ensino regular, seja como no meu específico caso, de dança) vamos fazendo involuntariamente uma retrospetiva de como foram (ou quem foram) os nossos professores no passado. Há medida que nos vão ensinando sobre pedagogias específicas, que vamos aprendendo um pouco mais de psicologia ou interiorizando estratégias de ensino-aprendizagem, começamos inevitavelmente a pensar “quem era bom professor e quem era mau” quando éramos nós os alunos. Mas quando nos deparamos de facto com a prática no terreno, percebemos que as coisas não são assim tão preto no branco como nos foi sintetizado: muitas das vezes as nossas estratégias vão de encontro à pedadogia com que mais nos identificamos mas, outras vezes, e dependendo das turmas que temos, encontramos um equilíbrio entre o que achamos o correto e aquilo que nunca nos imaginámos a fazer. E isso começa por ser assustador, porque é um jogo totalmente “tentativa-erro”, mas pode transformar-se num trabalho muito nosso e revelador de nós próprios enquanto seres conscientes que evoluem com o tempo.

Quando comecei a dar aulas (mesmo, mesmo no início) tinha o grande problema de não confiar. Não confiar em mim e, por consequência, nos outros. E portanto não confiava nos meus alunos para fazerem demonstrações, uma vez que não confiava que o meu trabalho fosse bom o suficiente para ser exposto por eles. Esse medo passou. Obriguei-me a dar saltos de fé e a confiar que iriam transmitir ao público o que lhes tinha transmitido. A partir do momento em que esse “bicho papão” foi enfrentado, as coisas começaram a fluir. Demonstrações? Espetáculos? Siga.

Depois, com o tempo e com a experiência, comecei a questionar-me a mim mesma sobre o propósito do meu trabalho. Ensiná-los a dançar, fazerem demonstrações e pronto? Não me chegaria. Não podia ser só isso. E foi então que, ao começar a dar aulas de forma mais descontraída e segura, me apercebi que precisava também de contribuir para formar cidadãos mais conscientes. Não sou “a escola”, mas também sou “a professora”. Ensino dança, mas esse ensino tem de ter um paralelismo com as aprendizagens sociais, os valores e, se não for pedir muito, com um conceito muito vincado de paixão, criatividade e resiliência.

O meu trabalho começa por aí. Por fomentar o respeito, o espírito de equipa e a entreajuda dentro dos grupos. Começa por fazê-los ver que sonhar não faz mal mesmo que os sonhos pareçam os mais disparatados, mas que só com esforço, com humildade, dedicação, visão e fé é que conseguimos chegar a algum lado. O meu trabalho passa também por inspirar, transmitir uma paixão que é minha desde que me lembro, mas também passa por amenizar egos quando estes se elevam demasiado e consciencializar os meus alunos da importância de cuidarem do seu corpo para que este funcione bem durante o maior número de anos possível (porque felizmente ou infelizmente, ainda não somos de ferro).

E assim, o meu trabalho passa também por métodos menos usuais de ensino. Felizmente, são cada vez mais aplicados, mas ainda são daqueles com reações parecidas às de quem prova sushi para primeira vez: ou se ama ou se odeia. E no caso dos que odeiam, é triste saber que nos vêm como preguiçosos, maus professores ou desmotivados, quando é exatamente ao contrário. Ainda há muito caminho a percorrer para toda a gente verificar que há aprendizagens que se adquirem melhor mediadas pelos próprios alunos com orientação do professor.

Quando deixamos os alunos mediarem o conhecimento com a nossa orientação em vez de sermos aqueles que dizem "é assim, faz assado" eles já estranham. A formatação que lhes é imposta nas suas outras realidades é reta, sem curvas nem desvios. Já se habituaram a ficar em segundo plano para ouvir ou, no caso da dança, reproduzir o que o professor faz. Mas e se fazemos diferente? E se optamos por outras formas de ensino mais dinâmicas, mais relacionais, mais COM eles? Isso faz de nós piores professores? Faz de nós os “mauzinhos” que os obriga a pensarem demasiado? Faz de nós os despreocupados que os deixa à própria mercê?

Peço-vos que parem um pouco e observem as nossas gerações futuras de adultos. São crianças e jovens que estão presos num ritmo alucinante e automatizado, miúdos que levam um choque quando, por exemplo, a professora de dança lhes pede para fazerem uma coreografia sem ela e “ainda por cima” (como eles muitas vezes desabafam) em grupo. São alunos que nos criticam baixinho por os fazermos rever coreografias em conjunto e a ensinarem a quem faltou a aula passada, sabendo que a professora naquele momento está ali apenas para tirar as dúvidas necessárias, e que referem baixinho (como se nós não ouvíssemos tudo) que "não são o professor"

Pois não, não são. Mas são companheiros, amigos e, principalmente humanos. Indivíduos conscientes capazes de reter informação, revê-la e transmiti-la a outros à sua maneira. Maneira essa que, sendo mais próxima da realidade do indivíduo que estão a ensinar, torna a aprendizagem mais rápida para ambos. Ao ensinarmos, também aprendemos sempre mais qualquer coisa.

Sinto nas crianças e jovens de hoje em dia demasiada ação e muita falta de noção da mesma. Contra mim falo que sou mulher de vários ofícios, mas esta malta tem muita coisa a acontecer ao mesmo tempo sem consciência plena do porquê de estarem ali, do que os move, do que os apaixona ou até mesmo, neste caso, do porquê do professor estar a ensinar de maneira diferente. Há que os lembrar que é possível VIVEREM o conhecimento que adquirem, seja qual for o contexto em que o processo é realizado e que esse processo ainda é melhor quando feito de forma humilde, em grupo e com respeito pelo próximo.

Estarei errada? Talvez este seja o desabafo mais aleatório deste blog. Mas era necessário ser feito. Continuarei a dizer que, antes de formar bailarinos, quero contribuir para a formação dos cidadãos do futuro. E esta é uma das minhas estratégias, que fique aqui registada. Isso não fará de mim melhor ou pior professora. Fará de mim professora-com-consciência-de-determinadas-falhas-que-podem-ser-resolvidas-com-paixão-pelo-que-faço.

Posso ser considerada como alguém que pensa fora da caixa. Não me importo porque é verdade. Essa caixa que é o processo ensino-aprendizagem em Portugal neste momento é muito pequenina e nem eu, nem as minhas paixões nem as minhas visões cabem lá dentro. Gosto de transbordar.

 

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Seg | 16.10.17

Bless Woman Conference - um dia com e para mulheres corajosas

Durante o dia de ontem estive presente numa Conferência da Bless Woman Agency, a Bless Woman Conference. Devo dizer-vos que fui com as expetativas altas, uma vez que conheço minimamente uma das suas fundadoras (a Margarida Pestana, da qual já falei aqui) para saber que ela não faz nada pela metade ou sem entregar totalmente o seu coração. 

Assim foi... Uma Conferência organizada diretamente da alma e do coração não só da Margarida como também da sua outra fundadora, a Susana Rodrigues, outra mulher extraordinária que tive a honra de conhecer e abraçar.

A manhã foi feita de muitas partilhas de mulheres coragem, cujas histórias nos levaram tanto às gargalhadas como às lágrimas de emoção. Histórias de vida que as levaram até ao ponto onde estão hoje e onde, algures, tiveram de ter alguns atos de "inconsciência" (como uma delas referiu ontem) para dar um salto de fé na direção do que as fazia felizes ou do que as fazia sentirem-se mais completas... mais elas mesmas.

Começámos de maneira LINDA com a querida Isabel Faia, passámos o testemunho à Sara Rodi, à Joana Freire, à Eva Barros, à Evódia Graça (que honra!), à Dora Dias, à Mafalda Rodrigues de Almeida, à Carolina Cruz, à Catarina Pinto, à Ana Prata e, por último, à Helena Magalhães (da qual fiquei fã ainda antes de ler o seu livro). Uma a uma trouxeram-nos as suas histórias e o que as fez tornarem-se nas deusas-mulheres empreendedoras, resilientes e fortes que são hoje. Verdadeiras inspirações vindas de oradoras REAIS com histórias e áreas de intervenção completamente distintas, sem filtros, sem tretas. Com muito do que fizeram de bom, mas sem nunca explicar o que fizeram de mal antes. 

Após o almoço, que foi no Estado d'Alma, e após um pouco de conversa informal, regressámos à Terra dos Sonhos (espaço lindo onde decorreu o evento) para iniciarmos a nossa tarde com dois workshops. O primeiro com a Margarida e a Susana, as criadoras da Bless Woman Conference e o segundo com a Lucia Borraccino.

O primeiro Workshop, com o tema "Eleva a tua voz" foi, de facto, elevado... Elevado no risco que a Susana e a Margarida correram ao nos trazer tamanha profundidade com ele! Como professora e dinamizadora de atividades completamente diferentes, sei que "trabalhos destes" ou correm maravilhosamente bem ou correm maravilhosamente mal, dependendo do tipo de pessoas que temos à frente e da aceitação que fazem dos exercícios propostos. E posso dizer que foi maravilhosamente bem recebido. Aí percebi que estava mesmo, mesmo, MESMO rodeada de mulheres brutais, que juntas resolveram explorar juntas áreas mais profundas e sair da sua zona de conforto. Toda eu era lágrimas por esta altura. Mas toda eu me sentia INTEIRA.

Depois, tivemos um workshop mais descontraído numa fusão entre o Yoga e o Samba. A única coisa contra foi o calor, mas desse ninguém presente tinha a culpa. Então resolvemos tentar ignorar e aproveitar. Foi tão bom. Suámos, mas descontraímos um pouco. A Lucia no final perguntou-me "You're a dancer, right?" e quando eu respondi que sim, ela presenteou-me com um sorriso cúmplice de "estamos juntas... sabemos o que é bom!" :P 

Terminámos a Conferência com o testemunho da querida Vânia Duarte, da Lígia Silva e da Soraia Rosa. E que honra que foi terminar o dia a ouvir estas três oradoras, com testemunhos tão diferentes e tão únicos.

Saí de lá não só com um saco cheio de mimos dos vários patrocinadores da Conferência, mas principalmente de coração cheio. Até apanhei os transportes públicos de volta a casa sem me enervar (raro em mim, que detesto confirmar nessas alturas que ser-se civilizado é uma arte que pouca gente domina naquele contexto). Dormi leve, serena e acordei com a cabeça cheia de ideias (mais ainda? Medo!)

No workshop que fizémos com a Margarida e com a Susana, a Margarida pediu-nos para escrevermos numa folha qual achamos que é o nosso propósito nesta vida. O que é que achamos que estamos cá a fazer, qual a nossa área de intervenção e qual o nosso papel principal nela. Depois, virou-se para mim e disse: a tua eu já sei.

Tenho de lhe perguntar qual é. Eu sei o que sou.. Mas até à data não me tinha lembrado de perguntar a mim mesma "para onde quero EXATAMENTE ir." Demasiadas ideias, demasiados contextos, demasiados interesses... ainda que nas mesmas duas áreas de intervenção e profissão. Chegarei lá no momento certo, há que confiar que sim.

Talvez me repita quando afirmo que estou profundamente GRATA por este dia. Por mim, era todos os meses. Faz bem ao corpo, ao coração, à alma e até mesmo à inspiração e à organização de ideias. É extraordinário o que se consegue fazer colocando na mesma sala várias pessoas empreendedoras, multi task, "sofredoras" de brainstorms como eu e com o mesmo tipo de pensamento: "Onde não puderes amar não te demores." (como referiu a Catarina Pinto).

MUITOS PARABÉNS Susana e Margarida! Foi uma honra estar presente na primeiríssima Conferência da Bless, das milhares que creio que estão para vir. Muito obrigado a todas as oradoras pelas suas partilhas, foi uma honra enorme estar perante todas vocês. Também foi brutal estar perante pessoas que já sigo nas redes sociais, incluindo bloggers como a Joana Clara do blog "Às cavalitas do Vento" ou a Andreia Moita, e também ter mulheres extraordinárias a virem ter comigo e a dizerem que adoraram o meu testemunho na revista "A Maria Vaidosa". Grata, mesmo!

Em suma, muitos parabéns Bless Woman Agency <3 Para o que precisarem, aqui estou!

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PS: A meio da manhã e da tarde tivémos um Coffee Break gentilmente cedido pela "Chamego meu Pão de Queijo", do qual a Eva Barros e o marido são proprietários e estava tudo, para além de delicisio, lindo até para "comer com os olhos".

PS1: Tive a honra de poder ter o meu primeiro livro "A Mica traquina quer ser bailarina" no Book Corner da Conferência, junto a outros livros de grandes mulheres <3

PS2: Colocarei fotografias em breve, assim que tiver em minha posse as da querida profissional que por lá esteve!

Seg | 09.10.17

Wishlist de Outono - versão "beauty"

Com a chegada do Outono (sim, eu sei que parece Verão, mas vamos continuar a ignorá-lo aqui por estes lados) todo um novo mood de maquilhagem e outros produtos de beleza chega até nós. Até agora, e com a chegada de algumas novidades, tenho a minha wishlist um pouco irreal a nível de investimento monetário (há outras prioridades e coiso e tal) mas vamos pensar de forma positiva: é uma wishlist de Outono, e o Outono são vários meses. Pode ser que, bem divididas as economias, cheguemos lá. Fingers crossed!

E vocês? Têm nesta wishlist algo da vossa também? E com que outros produtos de beleza têm em mente violar a vossa carteira este mês?

(cliquem nas imagens para mais pormenores)

 

 

 

Sex | 06.10.17

Corre, o tempo vai à tua frente - PALAVRAS DANÇADAS #5

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O cronómetro voltou a contar os seus segundos do zero e já não há como o parar. Não importa o tipo de marcha, mas sabes que tens de seguir. 1,2,3,4 segundos, parece tão pouco e no entanto sabes que esse mesmo cronómetro já marcou números com 6 ou mais algarismos e que foi recolocado no zero durante as curtas pausas que fizeste.

5,6,7,8. Não importa se vais de sapatilhas, botins ou salto agulha, o que importa é continuares. O teu corpo vai em modo automático, os pés já não doem, os músculos já não se ressentem, mas a cabeça… a cabeça tem os seus dias. Mas segue. Vai seguindo.

37, 38, 39, 40. Revoltas-te porque não queres ir tão rápido. Não queres seguir sem sequer ver o chão que pisas, o cenário que te envolve, a brisa que te ajuda. Não queres ir tão rápido, mas TENS de ir. Porque o cronómetro não vai parar e o tempo é escasso.

108, 109, 110, 111. Sentes-te confuso porque queres voltar para trás. “Voltar para trás depois de tantos algarismos naquele cronómetro? Eles já não estão lá, mas estiveram! Não te esqueças deles. Não os deites fora. Lembra-te porque é que começaste este percurso. Continua, vá lá!”

390, 391, 392, 393. Choras porque respiras sôfrego, porque estás cansado, porque queres simplesmente parar. A palavra DESISTIR pesa-te nas costas como rochas apanhadas à beira do rio. É uma palavra feia, um verbo estúpido, mas tu considera-lo. Porque não? Se desistir o que é que me acontece? No teu íntimo ainda não queres bem descobrir. Por mais tentado que te sintas.

584, 585, 586, 587. O teu corpo corre em passo largo, desajeitado, pesado. A tua cabeça explode de adrenalina, já não sabes para onde estás a ir mas sabes que tens de chegar algures. Sentes-te sozinho, apenas ouves ecos: O que importa é continuar. O que importa é continuar. O que importa é continuar.

1043, 1044, 1045, 1046. As lágrimas por vezes correm, mas já aprendeste a limpá-las em silêncio. Há outros caminhantes que passam por ti e te perguntam se estás bem. Tu respondes que sim, quando sabes que não. Ou achas que não. Nem tens a certeza. Já não sabes como te sentes. A dormência apoderou-se. Não importa. Segue caminho.

11087, 11088, 11089, 11090. Alguém vem por trás e tenta empurrar-te. É um empurrão para caíres, não para continuares. Conheces tão bem a diferença. Que falta de respeito por quem tanto se esforça. Rebentas. Voltas a sentir de novo. O medo, a raiva, a frustração, a confusão, a adrenalina. E corres mais depressa. Com vontade de chegar. Não de chegar primeiro, simplesmente chegar.

1007789, 1007790, 1007791, 1007792. Estás quase lá e de repente queres correr mais depressa. Já não com frustração ou com medo, mas com a expectativa do que se encontra lá à frente. Sentes-te culpado por não teres apreciado melhor o caminho. Talvez fosse mesmo impossível. As paisagens estavam turvadas pela velocidade do teu trajeto e pelo cansaço da tua cabeça.

23123456, 23123457, 23123458, 23123459. Os teus pés cortam a meta mas continuas a andar. Não sabes como parar, já percorreste um longo caminho. Estás em modo automático e nem te apercebes de onde estás. Estás no destino. Já chegaste. Apercebes-te e choras. É um choro instável entre a felicidade de ter terminado e o medo de saber o que ficou para trás sem que te apercebesses.

Olhas para o lado e vês a tua claque. Aqueles que nunca saíram do teu lado, ainda que não os visses no nevoeiro da tua mente. Aqueles que te ampararam as quedas sem que as quisesses amparadas e os que te puxaram para a frente quando quiseste voltar para trás.

Nunca estiveste sozinho e sempre foste capaz de terminar esta viagem. Cada vez que o cronómetro foi reiniciado após as curtas pausas e descansos, foi uma oportunidade de respirares e retomares caminho.

Sempre foi possível.

... ... ... ... ...

De repente acordas e estás prestes a iniciar viagem. O cronómetro voltou a contar os seus segundos do zero e já não há como o parar. Não importa o tipo de marcha, mas sabes que tens de seguir. 1,2,3,4 segundos, parece tão pouco e no entanto sabes que esse mesmo cronómetro já marcou números com 6 ou mais algarismos e que foi recolocado no zero durante as curtas pausas que fizeste.

Afinal não sei se sou capaz. Sonhar é fácil, concretizar é mais difícil.

Tenho mesmo de fazer tudo isto de novo?

“Tens.”

 

 Autor: Palavra de Bailarina by Joana Duarte

 

Dom | 01.10.17

"Amor, vou casar contigo" #5 - Sessão fotográfica de noivado

Se todas as noivas forem como eu, sentem que há que registar não só o momento do casamento, como também o de noivado. É uma fase bonita que pode durar anos ou meses (dependendo dos planos do casal) em que a ansiedade prevalece, o entusiasmo é uma constante e em que começamos a ver os nossos sonhos e objetivos pessoais a fazerem sentido e a passar à frente dos nossos olhos.

Mas não me interpretem mal, estar-se em modo "fiancé" não é tudo maravilhas. Há muito trabalho envolvido e muita dedicação a prestar... e principalmente, há muito stress, 90% das vezes criado por pessoas que não o próprio casal. Convidados e não convidados. Pessoas que não se dão e que terão de estar no mesmo espaço e acham por bem desabafar isso connosco; pessoas que se ofendem com tudo e mais alguma coisa, incluindo por não serem convidadas ou por serem convidadas e o piriquito não; pessoas que sentem que têm uma palavra a dizer sobre a escolha da nossa quinta, do nosso vestido, da nossa música, da nossa igreja. Pessoas, pessoas, pessoas.

E precisamente para afastar um pouco as PESSOAS é que considero a sessão fotográfica de noivado uma experiência bonita e necessária. Naquele momento, somos apenas NÓS que contamos, enquanto casal. Tiramos as fotografias onde queremos, sorrimos e acarinhamo-nos mutuamente, mostramos vaidosos e sem relutância o anel que oficializa tudo. É um momento onde podemos ESTAR e SER enquanto casal, calar um pouco as vozes em volta e deixar-mo-nos absorver por momentos só nossos nesta fase que, por sorte, ficará registada para mais tarde recordar.

Para esta sessão única só poderíamos ter escolhido a maravilhosa Mariiana Capela. Conhecemos este ser humano indiscritível através da Sara, minha amiga e ilustradora dos meus livros, e fizémos com ela uma sessão de namoro nos jardins da Gulbenkian há dois anos atrás (podem ver aqui). E se a sessão em si já foi um prazer por podermos conhecê-la pessoalmente, quando vieram as fotografias, disse ao João: "Se um dia casarmos, quero que a Mariana nos faça a sessão de noivado". 

As fotografias da Mariana podem ser descritas como cheias de luz interior e captadoras da verdadeira essência das pessoas (e dos animais, que também fotografa como ninguém)... Para além da qualidade técnica, claro! Nós sabíamos que com ela teríamos o tipo de fotografia que queríamos para este momento: a maior naturalidade possível, risos, ternura, palhaçadas, amor e muita cumplicidade. Sentimentos que verdadeiramente nutrimos e que nos descrevem enquanto seres individuais e enquanto par. A Mariana consegue contar histórias de amor com os olhos...Sem poses treinadas ou momentos pensados, tornando todas as fotografias únicas. 

E agora perguntam... então e as fotografias de casamento, não será ela a fazer?

Bem, a Mariana infelizmente não se encontra a viver em Portugal. Costuma vir cá passar as suas férias (e foi nelas que gentilmente aceitou trabalhar, fotografando-nos) e seria egoísta da nossa parte pedir-lhe que viesse cá de propósito naquela data específica, quando talvez outras lhe fossem bem mais convenientes. Também estaremos excelentemente entregues no nosso dia, em modo fotográfico e videográfico. Mas sobre isso falarei apenas após o casamento.

Deixo-vos com algumas das milhentas e maravilhosas fotografias captadas pela Mariiana. Aconselhamos alguma cautela, sob o risco de se apaixonarem pelo seu trabalho que, by the way, podem seguir aqui (instagram) e aqui (blog).

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