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Palavra de Bailarina

Para além de dançar o Mundo, gosto de escrevê-lo

Qua | 20.11.13

Carta a quem servir a carapuça

 
Christina Aguilera – I thought I knew who you were Quote
 
Pensei que te conhecia. Minimamente, sabes? Afinal, não partilhaste comigo apenas palavras. Partilhaste sentimentos, viagens, partilhaste segredos... partilhaste abraços, beijos e fotografias. Partilhaste vários "Amo-te".. partilhaste comigo (e só comigo, na altura) o teu corpo, e por consequência, a tua alma. Partilhaste uma cama, onde dormiste abraçado a mim várias vezes. Partilhaste gargalhadas e meros momentos do teu dia. Partilhaste tristezas, e inclusive choraste no meu ombro (consegues dizer-me em quantos ombros o fizeste?). Partilhámos coreografias, e partilhámos palcos. Partilhámos vitórias e derrotas, conquistas e perdas. Fui dos teus primeiros abraços por teres entrado na Faculdade. E fui a primeira pessoa que te deu um emblema para colocares na tua capa académica (mesmo antes de saberes se tinhas entrado, para te demonstrar o quanto acreditava em ti).
Partilhaste a tua família, e eu partilhei a minha. Sem medos. Partilhámos frio na Serra da Estrela, e mar da janela de uma Pousada... partilhámos calor em vários dias de praia, e arrepios em momentos só nossos.
Não, já não sinto nada por ti. Nada, mesmo. O meu coração está cheio, está feliz e preenchido. Mas há uma coisa ( a única) que por ti, permanece em mim: respeito.
E essa é a única coisa que a ti te peço também. Respeito por mim e respeito pelos meus. Por aqueles que tantas vezes te abriram as portas, que tantas vezes te deram boleias para treinos e espectáculos, aqueles que te levaram a lugares que nunca tinhas conhecido, aqueles que se esforçaram por compreender a nossa situação fora do comum e nada aceitável, sem nos julgarem... não, não peço reconhecimento, nem agradecimentos, nem tratamentos especiais. Apenas respeito. E o respeito passa por uma mísera mensagem nos seus dias de aniversários (que outrora também partilhaste com eles); passa por teres conversas que prometeste ter e não tiveste; e falando no porquê do surgimento desta "carta", respeito passa também por me falares quando me vês. De me olhares nos olhos e dizeres um Olá, nem que seja com uma insinuação de cabeça. É que sabes, se algo te acontecesse neste momento, eu seria a primeira pessoa a prestar-te ajuda. Por respeito ao que um dia significaste, ao que um dia me fizeste sentir, ao que a tua família significa para mim.
Não pretendo ter-te de volta. Nem quero. Já há muito tempo que isso não faria sentido para mim. Reforço, já não sinto nada por ti. Por isso, não quero que vejas esta "carta" como algum método estúpido de fazer despertar algo em ti... nem como um pretexto para te criticar, porque apesar de ter ficado magoada e revoltada, não sou nenhuma santa e muito menos vítima nesta situação...porque pelo caminho também errei. Isto é apenas um desabafo de uma pessoa que gostava que a recordasses apenas com respeito, e que quando a visses na rua (uma, duas e três vezes como já se sucedeu) lhe desses a entender que um dia a conheceste. Minimamente.
 
Atentamente,
Joana Duarte