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Palavra de Bailarina

Para além de dançar o Mundo, gosto de escrevê-lo

Ter | 07.02.12

O futuro aos meus olhos

 
 
Mostra Dança, Faculdade de Motricidade Humana
Universidade Técnica de Lisboa
O que eu quero da Dança? Quero ter permanentemente aquela sensação de que ainda não aprendi o suficiente. Quero ter a segurança de um trabalho como professora, mas também a adrenalina daqueles trabalhos pontuais para anúncios ou espectáculos. Quero ganhar o respeito daqueles que eu mais respeito também, e quero poder ser comparada aos maiores. Quero ser versátil; não quero ter um rótulo de “bailarina do estilo x” na testa, mas quero principalmente dar tudo de mim no Hip Hop e no Contemporâneo. Quero coreografar e fazer o público chorar, sorrir e identificar-se com as minhas criações, quero ser diferente e quero que deixem de ver uma “menina” que diz “faça favor” a quem quiser passar à frente na fila para verem uma “menina mulher” que luta com unhas e dentes por aquilo que ambiciona e não se deixa pisar. Quero ser constantemente inspirada, mas também quero inspirar. Quero suar e demonstrar aos outros que suor é sinal de trabalho, e que apesar de por vezes não ser recompensado, nos deixa a consciência tranquila e o orgulho intacto. Quero fazer compreender a beleza de umas sapatilhas sujas e rotas, e de um pé em carne viva e sem a unha do dedo mindinho. Quero viajar e assimilar culturas na minha forma de dançar e na minha personalidade. Quero tirar fotografias em frente ao Big Ben, à Torre Eifell e ao Coliseu de Roma a fazer um Arabesque ou um Grand Jetes. Quero crescer e casar, mostrar que o Amor e a Paixão pela dança são compatíveis com uma vida familiar e que o meu espírito de dedicação dá para ambas as partes; quero trabalhar que nem louca um dia inteiro e chegar a casa ao final do dia e perguntar ao melhor Homem do Mundo como correu o seu dia, ouvir as suas histórias e interessar-me pelo seu trabalho; quero que se sinta realizado e satisfeito com a mulher que demonstrarei ser todos os dias, merecedora do seu sorriso. Quero ter filhos, e poder mostrar-lhes que com dedicação e alguns sacrifícios, os sonhos concretizam-se; quero fazer deles pessoas fortes e optimistas e ao mesmo tempo meigas e humildes, e quero vê-los tornarem-se em pessoas bem melhores do que eu alguma vez fui. Quero formar uma Companhia de Dança que consiga fundir os mais variados estilos que existem, passando a mensagem de que a Dança é uma só Força e não uma força dividida em vários vectores, e pelo meio fundar uma Academia em meu nome, onde todos se possam deslocar e aprender um pouco mais. Quero trabalhar com pessoas com doenças físicas e mentais e quebrar as barreiras da felicidade através do Movimento Expressivo, e quero que essa tal academia tenha espaço para essas pessoas também, porque os tutus ficam bonitos em corpos estupidamente perfeitos, mas eu cá prefiro um sorriso genuíno de quem está a calçar umas sapatilhas pela primeira vez. Quero gritar e stressar com aqueles que um dia trabalharão comigo num projecto gerido em prol das artes do espectáculo; quero apertar a mão aos bailarinos mais admirados e respeitados em seminários internacionais, e quero trabalhar com o Filipe la Féria nem que seja a limpar-lhe o suor da testa, porque aquele homem pode ser uma besta de pessoa, mas é um génio de besta. Quero ter uma coluna numa secção cultural de um Jornal qualquer, em que escrevo e critico todos os espectáculos de dança que conseguir coleccionar como espectadora. Quero conseguir concretizar metade do que aqui listei!  Mas quero acima de tudo que a Dança me continue a fazer feliz e a fazer sonhar, todos os dias da minha vida.
 
 
Joana Duarte