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Palavra de Bailarina

Para além de dançar o Mundo, gosto de escrevê-lo

Sab | 26.07.14

México, day 3# Coba-Tulum (e parabéns a nós!)

A alvorada foi ás 7h da manhã para irmos naquela que seria a nossa primeira excursão no México. Como esta saía da villa de Tulum e não do Coba (só para relembrar, as Villas do Resort têm nomes de localidades próximas dali), aproveitámos para experimentar o pequeno almoço dessa "villa vizinha". A experiência estava a ser muito agradável até um corvo chegar e mandar três bicadas no meu croissant enquando eu ia buscar o meu sumo de fruta. É compreensível, porque o Buffet do Tulum é em espaço aberto, estilo "cabana gigante"... mas ainda assim, não foi lá muito fixe.

 

 

Um pouco depois da hora prevista, partimos no autocarro rumo ao primeiro destino. A ordem do dia seria visitar Tulum de manhã e Coba à tarde (as terras, não os resorts... eu sei, confusão danada). Pelo meio, teríamos direito a um almoço tipicamente mexicano algures. Começámos então, com um grupo muito porreiro, por ter uma visita guiada a todas as construções Mayas em Tulum, onde aprendemos um pouco mais sobre este povo tão falado no ano de 2012 devido à teoria do "Fim do Mundo". By the way, garantiram-nos que nunca os Mayas ou os mexicanos defenderam essa teoria, sabendo à partida que o calendário ali terminou devido a questões logísticas dos astros e por falta de recursos (eles lá sabem). O guia ainda brincou dizendo que ao menos tiraram partido dessa situação, porque a procura turística para aquela área aumentou consideravelmente, pela curiosidade das pessoas, e até mesmo pelo desespero de algumas em encontrar uma resposta concreta sobre o que afinal se iria passar no dia 21 Dezembro de 2012.

 

 

 

 

 Mas ainda falando acerca dos astros, aprendemos imenso sobre o tema e ainda tivémos a honra de testemunhar a existência dos observatórios que os Mayas construíram para visualizar as estrelas, fazer as contas (eram grandes físicos e matemáticos) para dar continuidade ao calendário; observámos também os dois postos onde se via com mais intensidade o Sol e a Lua, durante os equinócios. 

 

 

 

 

Seguidamente, foi-nos dada uma hora livre para descer até à praia local, onde o mar é mais bravo. Apesar de pequena e a abarrotar de turistas, aquela praia era lindíssima... e a água, claro, morna e transparente. Deu para aliviar um pouco do calor que se fazia sentir.

 

 

 

 

 Combinámos com o nosso Guia encontrar-nos em frente ao autocarro a uma determinada hora. No entanto, quando eu e o João lá chegámos (com pontualidade britânica) não havia nem autocarro, nem ninguém do grupo e muito menos o guia. Com medo de ali ficarmos, andámos em volta à procura do pessoal... mas aquela zona não é muito favorável a turistas perdidos, e imediatamente vieram dezenas de mexicanos, a perguntar se queríamos taxis ou boleias, por um determinado preço. Toda aquela insistência estava a tornar-se um pouco assustadora, e eu que saí de Portugal com toda a gente a dizer-me "Dê por onde ser, NUNCA entres num Taxi mexicano", comecei a entrar em parafuso. Felizmente que o João, com a sua calma e paciência, e com a ajuda da minha tradução para Espanhol, explicou-lhes que estávamos à espera de um grupo e de um guia, e que não precisávamos de ajuda. Fiquei a rezar para que isso realmente viesse a acontecer e que não tivéssemos sido nós a entender mal a hora ou o ponto de encontro (o guia tinha sido muito específico quanto à hora e disse que partia mesmo que faltasse alguém... how cute).

Felizmente, a malta começou a aparecer, assim como o autocarro com o guia... lá nos apercebemos que o nosso único erro foi termos dado ouvidos ao homem, porque lá, pontualidade é uma cena que não lhes assiste.

 

 

 

Seguimos então para o ponto turístico seguinte (ainda em Tulum): a herdade de Santa Cruz. Nela, vive uma família Maya, com os seus costumes antigos/tradicionais, como já não se vê em mais lado nenhum. Foi-nos possível observar o seu modo de vida, onde cultivam o milho, como subsistem (apenas com o que a natureza lhes oferece), onde dormem, independentemente das condições.

Descobrimos entretanto que eles produzem a pioneira Chiclet! Essa palavra é originalmente Maya, e proferia-se "sicte", que significava fluído vital/sangue, e ao qual mais tarde os Aztecas nomearam de "tzictli", que significava "pegajoso"; finalmente, e novamente com a evolução dos tempos, os espanhóis nomearam-na de "chicle". As chicletes começaram por ser produzidas através de resinas de árvores, e não tinham sabor. A sua evolução trouxe-nos as nossas tão afamadas pastilhas elásticas. 

 

 

 

 

 

 

 

 

Continuando, ainda em Tulum visitámos um Cenote. E perguntam vocês, pacientes e curiosos leitores, o que é isso. A Ju explica: um cenote é uma cavidade natural que resulta do colapso de uma rocha, expondo assim as suas águas subterrâneas. É quase como uma piscina natural. Estas pequenas maravilhas da natureza são imediatamente associadas por toda a gente ao México, mais concretamente à Península de Yucatán, pois eram usadas antigamente pelos Mayas para vários sacrifícios humanos (pessoas, inclusive crianças, eram atiradas para os cenotes, dos quais era impossível sair e morriam afogados, cansados de nadar.) Hoje em dia são apenas pequenas maravilhas da natureza que nos proporcionam momentos únicos, pela sua beleza incomparável. E como tal, parámos para nadar num durante cerca de uma hora. Éramos nós e um grupo cheio de pinta a nadar numa piscina natural no meio da selva. Priceless.

 

 

 

 

 

 

Após esta manhã atribulada, seguimos para o tal restaurante mexicano, onde já nos esperavam. A esta altura, já eu e o João tínhamos feito amizade com uma família portuguesa (um casal e uma filhota de 8 anos), e durante o almoço, a Daniela (senhora do casal) contou-me que é Jornalista. A partir daí a conversa fluiu pelas experiências dela enquanto jornalista e pelos meus gostos em comum pela área. Eu já gostava dela antes de saber o que fazia... mas de facto, ouvi-la falar sobre as suas experiências "no terreno" ao longo dos anos, tornou-a ainda mais espetacular :)

 

 

Pondo de parte as profissões e as aspirações (estávamos de férias, certo?), seguimos para a nossa última paragem da excursão, em Coba: andar 4 kms a pé pelo meio da selva para ver as pirâmides Mayas. Felizmente, devido ao calor e ao facto de aqui a gordalhufa já estar com as "entrepernas" assadas, pudémos alugar uma espécie de triciclo, onde cada duas pessoas, sentadas, tinham um rapazito mexicano a levá-las a pedal pela selva fora. 

Apesar de me ter safado de ficar com as pernas em carne viva, enquanto explorasse o meio da selva (que nem pequeno Mogli), comecei a sentir-me desconfortável naquela situação de estar sentada com um mexicano a pedalar e a transportar o meu peso e do João, juntos, durante 4 Kms de caminhos inconstantes (e ainda diz a minha mãe que eu nasci para ser princesa). Apesar de saber que era o seu trabalho, ir ali sentada, divíssima, enquanto ele fazia um esforço físico danado, já me estava a dar comichões no cérebro. O João também se começou a sentir desconfortável com a situação, e para aliviar a tensão, tentou perceber se o rapaz gostava de futebol , e lá foi pelo caminho a discutir o Mundial com ele, em "Portanhol". O rapaz acabou por se descontrair connosco e contou-nos que tinha 26 anos, que era casado e tinha duas filhotas... que trabalhava ali a ganhar, em época alta, 10 euros por dia, e que não tinha folgas, mas que gostava do que fazia porque adorava o turismo. Posso dizer que foi a ÚNICA pessoa à qual démos gorjeta durante toda a estadía. Mereceu-a. 

 

 

 

 

 No meio da selva (literalmente), pudémos ver várias construções mayas. Entre elas, por exemplo, o campo de futebol, onde se jogava com uma bola de 3 kgs, que se impulsionava com a anca dos jogadores e que tinha de passar pelo meio de um aro pequeno. Quem "marcasse" golo era degulado em praça pública, entregando a sua alma aos deuses (se hoje em dia fosse assim, duvido que o Ronaldo tivesse tanta vontade de ser o Melhor Jogador); outro exemplo é a grande e conhecida pirâmide de Coba, onde ainda é permitido subir ao topo, apesar do perigo devido ao desgaste das pedras que a constituem. Ainda assim, havia montes de turistas a subir e a descer (a maioria a descer sentados, vá-se lá entender). O João também quis subir, e lá foi... sozinho. Eu fiquei-me praí pelos 10 degraus, porque ao menos se me desse para cair, não era queda para me matar. Claro que perdi uma vista maravilhosa sobre selva cerrada, que o meu namorado fez o grande favor de fotografar e atirar-me em cara. O que é certo é que ele no dia seguinte estava todo partido e eu fresca que nem uma alface. 

 

 

 

 

 

 

 

 No percurso de volta, pudémos observar a pura e dura realidade do México: o 8 e o 80, a pobreza extrema em contraste com a riqueza excessiva. Era algo que eu queria muito observar, não me perguntem porquê. Não que se encontre algum tipo de beleza ou entretém na pobreza dos outros. Simplesmente não queria que esta viagem se confinasse ao luxo de um Resort, porque se assim o fosse, nunca poderia dizer que tinha realmente conhecido o México. É de facto triste, verificar as condições em que vive a maioria daquela população. Mas em contrapartida, a sua essência, a esperança, a garra com que enfrentam o dia a dia, a paixão pela sua cultura e pelo seu povo, a sua espiritualidade, é algo que eu creio que deveria servir de inspiração a toda a gente. 

 

 

 

Regressámos ao Resort estoirados, ao final da tarde. Aproveitámos para ainda dar um mergulho na piscina, relaxar e ganhar forças para comemorar pela noite fora, os 16 meses de namoro que celebrávamos naquele dia <3

 

 

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