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Palavra de Bailarina

Para além de dançar o Mundo, gosto de escrevê-lo

Sab | 12.08.17

O que é que estás a fazer à tua vida? - PALAVRAS DANÇADAS #3

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O que é que estás a fazer à tua vida? Porquê essa inércia, essa falta de variação na velocidade? Permaneces parado, mas não tenho a certeza em quê. Parado no tempo, nas emoções, na tua própria existência… parado, simplesmente. Mas engana-te, se achas que os outros também estão parados. Os outros não. O tempo não. O tempo não espera por ti, é atarefado e principalmente egoísta. O tempo tem a sua velocidade, e não vai diminui-la para reentrares na corrente ao teu ritmo. Ou entras ou não entras. A escolha é tua, o tempo não quer saber. Mas eu quero.

O que é que estás a fazer à tua vida? Estás tão cego que te vês sozinho nesse quarto, ainda que estejas rodeado de família e amigos que gostam de ti. Os teus olhos têm a visão turva por uma solidão que não existe. Estás há tanto tempo às escuras, que a luz que te tentamos dar encadeia-te. Abre os olhos, devagarinho. Habitua-te à luz, e vais encontrar-nos lá. Nós temos o mapa para fora desse quarto e a cura para essa cegueira. Só não temos a solução para essa inércia. Essa, só tu a podes encontrar. Para essa, só tu nos podes pedir ajuda e liderar a busca, qual caça ao tesouro cheia de peripécias. Nós vamos contigo. Mas tens de pedir, e principalmente, de querer. Querer amar, querer confiar, querer acreditar. Nós amamos, confiamos e acreditamos contigo.

O que é que estás a fazer à tua vida? Nada. Estás a deixá-la ir. Estás a deixar passar o pôr do sol fantástico do Verão, e as noites aconchegantes de chuva no Inverno. Estás a perder gargalhadas que levam às lágrimas, e até mesmo lágrimas que caiem poeticamente das faces emocionadas. Não consegues viver as conquistas dos que mais amas, nem ter o prazer de os ajudar a ultrapassar as adversidades (muitas delas, mínimas crises existenciais que só têm porque precisam de ti). Estás a deixar passar o cheiro do mar salgado, o riso das crianças, o vento do litoral, a sintonia do amor, o prazer de um livro na esplanada, o frenesim dos transportes públicos, as palmas no fim de um espetáculo, o barulho dos grilos numa noite de Verão,… Para quê ignorar os nossos cinco sentidos, se eles nos foram gentilmente oferecidos?

O que é que estás a fazer à tua vida? Onde estão os teus sonhos e objetivos? Onde está o que te move? As borboletas que outrora sentiste na barriga são agora traças na gaveta empoeirada onde encafuaste o teu futuro. Se te demoras, vais esquecer-te onde o escondeste. Tira o teu corpo do sofá e a tua cabeça da televisão e vai buscar tudo. A televisão só te dá a ficção, e tu precisas é de sonhos, mas dos teus, aqueles que começam por ser também fictícios, mas que contêm uma luz de realidade a fazer cócegas ao teu entusiasmo. Vai à gaveta. Esvazia-a e mete tudo em prática. Se não der certo, tenta outra vez. Não é assim que se aprende? Tentativa-erro. E não é assim que nos tornamos mais fortes? Temos de saber aceitar os fracassos para encontrar o caminho para as vitórias. Há algo que dê mais gozo do que isto? Tu sabes que não. Soubeste um dia. Tagarelaste sobre isso, vezes sem fim. Divagaste comigo, em tempestades de criatividade mais estimulantes que cafeína. A vida só faz sentido quando lhe queremos dar um sentido. E não precisa de ser um sentido utópico, só precisa de ser o nosso.

Lembra-te que nunca estás sozinho. Sorri. Ganha novas borboletas na tua barriga. Acredita. Ama. Vive.

 

Autora: Palavra de Bailarina by Joana Duarte