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Palavra de Bailarina

Para além de dançar o Mundo, gosto de escrevê-lo

Sab | 08.02.14

Ovação de pé ao Politeama

Hoje fui com a minha mãe saborear mais uma das grandes peças do grande senhor do teatro, Filipe La Feria. Se pudéssemos, estaríamos enfiadas à porta do Politeama todos os fins de semana, mas infelizmente os bilhetes estão a preços demasiado elevados para tal luxo. Tudo bem, nós compreendemos que têm de salvar o teatro. E sinceramente, apoio que seja desta mesma forma, porque se há algo por que não me importo de dar dinheiro é pelo teatro de boa qualidade. É dinheiro bem gasto, já que o La Feria sempre soube prezar pela qualidade, pela grandeza e pelo talento dos que envolve nas suas criações. Portugal havía de pagar aos verdadeiros artistas (repito, aos verdadeiros... não ás fofas que saem da casa dos Segredos e dizem que são uma grande merda no mundo das artes) da mesma maneira que pagam aos futebolistas. As palmas já existiam nos palcos antes de se saber sequer o que era uma bola. But anyway... passando à frente, e indo directa ao musical de hoje, "A Grande Revista à Portuguesa" está assim qualquer coisa de extraordinário. Se há forma de relembrarmos o porquê de amarmos o nosso país, está lá... e se há forma de relembrarmos o porquê de o odiarmos nestes dias que correm, bem... isso também lá está. Esta é uma obra de "amor e ódio", de "orgulho e preconceito", de "passado e presente" sobre a alçada do nosso Portugal. Tudo representado de forma extraordinariamente bem distribuída, brincando com o que se deve brincar e comovendo quando se deve comover.

Eu fiz a audição para bailarina deste musical, o ano passado. E infelizmente, não me calhou a mim a sorte de fazer parte do corpo de baile, mas os que ficaram levam daqui os meus parabéns pela prestação, e o coreógrafo leva daqui um "hands up" por coreografias finalmente a tocarem a inovação sem perder a essência do que é uma Revista à moda portuguesa.

Ah! E quero enviar daqui também um big abraço (vamos fingir que eles sabem que eu existo) à Vanessa, à Marina Mota, ao Rui, ao Ricardo Castro e ao João Baião não só pela entrega e profissionalismo, como também pelas gargalhadas e lágrimas que me fizeram correr ao longo daquelas 3 maravilhosas horas.

 

Como já deu para entender, venho fascinada. As revistas portuguesas, os musicais e principalmente as obras do La Feria sempre tiveram este efeito em mim. Desde os meus 10 anos que ando nisto como espectadora. A ver se ainda vou a tempo de passar a elenco :) Bastava isso, e eu já me sentiria a bailarina mais realizada do Mundo. Amo fazer televisão, mas estes palcos lisboetas (Politeama, Tivoli, Parque Mayer) serão sempre o meu amor maior.

 

Há momentos que me (re)lembram porque escolhi ser artista. Este foi um deles. E seja qual for o caminho que me espera, o meu coração pertencerá sempre aos palcos.