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Palavra de Bailarina

Para além de dançar o Mundo, gosto de escrevê-lo

Dom | 22.11.15

Quando, mesmo sem querermos, somos dominados pelo medo

Não é novidade nenhuma para ninguém (sejam amigos, familiares, leitores do blogue ou conhecidos das redes sociais) que sou uma aficcionada por viagens e que não as faço mais por falta de tempo e dinheiro.

Sou menina para juntar algum durante o tempo que for necessário, para voltar a viajar. E é o que tenho estado a fazer desde Janeiro passado: juntar para fazer uma viagem com o meu namorado, daquelas "grandes" (digam-se dispendiosas e longíquas) como foi a do México há dois Verões passados. Pelo meio já fomos a Paris, levámos o meu irmão a Londres e pretendo muito brevemente voltar a Málaga (a minha "casa" durante o programa ERASMUS no Conservatório de Dança, do qual tenho imensas saudades) mas, ainda assim, lá está guardado o dinheirinho para a "Grande Viagem", que começou por ter como intenção o destino Nova Iorque, que (por motivos de incompatibilidade com os gostos do João) passou a ser Tailândia, que devido às monções na altura em que podemos marcar férias, passou a ser Bali. Tudo muito bem, tudo muito certo. Até que vieram os f-i-l-h-o-s-d-a-p-u-t-a-n-o-j-e-n-t-o-s-s-á-d-i-c-o-s-p-r-e-v-e-r-s-o-s-m-o-n-s-t-r-o-s-d-e-s-u-m-a-n-o-s  dos terroristas para me começar a atazanar os planos.

Razão? Medo. Puro medo. Terroristas sempre houveram, assim como todo o tipo de desgraças, sejam elas provocadas pela raça (des)umana ou pela ira da natureza. E sei que se pensarmos assim, nunca sairemos da concha. Mas temos que admitir que a situação está descontrolada. E tão constante, que assusta. E o que se segue parece ser tão óbvio, que desejamos estar enganados.

Tenho-me debatido imenso com isto. Com a minha vontade de viajar, aliada a este novo medo de o fazer, tendo como consequência uma frustração desgastante por estar submersa neste dilema. 

Sei perfeitamente que o conteúdo deste post poderá despertar algumas opiniões como "que egoísta, tanta desgraça a acontecer e o que te faz comichão é não viajares". Tudo certo. Mas foquemo-nos aqui na razão deste post existir: O facto de, em tantas alturas da nossa vida, sermos movidos pelo medo, que nos anula a oportunidade de viver experiências maravilhosas que podíamos ter vivido. E é horrível que esse medo (que sei perfeitamente não ser só meu) esteja por detrás de uma situação destas.

Já pensei em todos os lugares e mais alguns que quero visitar, sejam eles sinónimo de "grandes viagens" ou "mais pequenas". Já abri os meus horizontes até a sítios que nunca pensei querer ver. Mas o medo consome-me. Se não é o facto de andar de avião, é o destino em si que é propício a estas coisas...e vice-versa.

Neste momento, como nunca na minha vida, sinto que não estamos seguros em lado nenhum. E que prefiro não arriscar (eu, que me sinto tão viva a fazê-lo) É triste, tenho um lado de mim que me diz que sou ridícula, que não estou a ser racional.

Mas e se estiver?

Maior que a raiva que tenho por exterminarem inocentes em prol de uma religião (religião essa que, ironicamente, tambem está a ser vítima de más interpretações)... é a raiva que tenho por conseguirem que, em todo o mundo, hajam vivos impedidos de VIVER.

Jurei que nunca mais tocaria neste assunto. Que para sensacionalismos, já basta a lavagem cerebral que nos tem dado o facebook com notícias e desfechos, uns mais verdadeiros que outros. Mas tive de tocar.

Nunca a palavra PAZ teve tanto valor e peso para mim. 

É tudo o quanto quero, neste Natal que se aproxima. Paz no Mundo e Paz de espírito.