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Palavra de Bailarina

Para além de dançar o Mundo, gosto de escrevê-lo

Qui | 17.04.14

Toca a Mexer !

Desde que as tecnologias começaram a tomar conta das nossas vidas, a sedentarização evoluiu de uma forma alarmante. Isto porque Tablets, telemóveis, playstation, computadores e televisões entraram nas casas de toda a malta. O "Boom" da tecnología trouxe imensas facilidades a todos os níveis, e redes sociais como o Facebook, o Twiter, o Instagram e outros que tais vieram possibilitar o constante contato com toda a gente, ajudar-nos a promover-nos, e a conhecer mais acerca de tudo o que nos rodeia. 

Mas então e depois? A outra parte? Então e o nosso corpo?

Tornámo-nos numa sociedade tão "mental", que temos tendência a esquecer-nos que o corpo também precisa de atenção. Nem tanto pelo que se vê por fora, mas pelo que se passa dentro dele. E que, apesar de quase todas as profissões serem maioritariamente exercidas pela "cabeça" , há que ter em conta que um corpo saudável ajuda a uma mente saudável e a uma melhoria significativa de todos os nossos skills. 

 

Para começar a tentar modificar mentalidades, estamos cá nós: profissionais da educação física, do fitness, da psicomotricidade, bailarinos, animadores, atletas, e amantes do desporto.

 

A grande questão a colocar primeiro será: Começar por quem?

Eu sou da opinião de que segredo está em começar pelas crianças, que são o nosso futuro (profissional e parental), e que podem continuar a mudar as mentalidades da geração seguinte. No entanto, chegarmos aos adultos torna-se paralelamente importante, na medida em que são eles que terão de impulsionar novos hábitos e novas atitudes nos seus educandos. 

 

A grande questão a colocar em segundo lugar é: Começar por onde? 

Desenganem-se todos os que pensam que chega a Educação Física que as crianças têm na escola, para estas serem ativas e saudáveis. 

Apesar de ajudar imenso e ser um fator de impulso à atividade física fora da escola, nem todas as crianças se sentem aptas para o programa da disciplina, e isso gera a desmotivação e o desconforto ao fazer exercício físico. 

Há que haver um incentivo por fora, uma modalidade que lhes interesse, que os incentive e lhes faça crescer a vontade de fazer mais e melhor, dia após dia e FORA do tempo de aulas.

 

A questão a colocar em terceiro lugar é: Como?

De facto, e de acordo com a crise que estamos unânimemente a passar em Portugal, torna-se (muito) dificil dispensar algum do nosso tempo e dinheiro para atividades "extra-curriculares". No entanto, quando comecei este texto, não quis falar necessariamente da importância de estar incrito num ginásio ou num clube desportivo. Há formas baratas e bastante saudáveis de praticar exercício. E uma delas é um simples convívio em familia até um parque, um cais ou onde quiserem ir, ao ar livre. Uma tarde a andar de bicicleta, um jogo da apanhada, uma corrida para ver quem chega primeiro... tudo atividades que podem ser feitas em família, entre miúdos e graúdos, ao fim de semana, dias de folga, finais de tarde ou a que altura for, para soltar as amarras das tecnologías e viver, de forma saudável e divertida, o nosso mundo real e o que a natureza nos oferece.

Para aqueles com mais facilidades e interesse em se inscrevem num ginásio ou clube, há cada vez mais modalidades ao dispor, para todas as idades e todos os gostos. Ao existir uma maior competição entre instituições há, portanto, uma maior necessidade em diversificar. E por isso, em praticamente todos os lugares destinados a atividades extra-curriculares, ja existe uma variedade fenomenal de opções: desde aulas de dança de todos os tipos, a modalidades de defesa pessoal, a fitness, a relaxamento,... é uma questão de se procurar e verificar o que mais interessa e se adapta ás necessidades de educandos e educadores (quem sabe, não se inscrevem em modalidades diferentes à mesma hora, para poupar tempo!?).

 

 

A questão a colocar em quarto lugar é: Com quem?

Obviamente que, se a nossa prática de exercício físico é realizada de modo lúdico e como tempo de qualidade entre as pessoas que nos são mais queridas, então quem queremos por perto são os nossos familiares e amigos!

Mas se falamos em modalidades que exigem um professor ou orientador, há que pesquisar ou pedir informações acerca do percurso profissional, da formação e da experiência da pessoa em questão. Se possível, feedbacks de outrens já com experiência, e contacto com o tal professor/orientador também podem ajudar a tomar algumas decisões. Não se deixem ensinar por qualquer pessoa! São modalidades físicas de que estamos a falar, em que o nosso material de trabalho é o nosso corpo! E pessoas que não sabem devidamente o que estão a ensinar/orientar podem, a longo ou a curto prazo, causar-nos mais problemas do que propriamente preveni-los!

 

 

E a última questão a colocar é: O quê?

Se temos dúvidas em relação aos nossos interesses, então não há nada como experimentar primeiro! Falando agora apenas em clubes e ginásios, hoje em dia, todos (ou quase todos) nos dão a opção de experimentar antes de tomarmos uma decisão. Não há que ter vergonha! Podemos ter uma ideia do que é uma determinada modalidade e depois nada ter a ver com o que achávamos que seria. E falando agora especificamente em relação ás crianças, há que incentivá-las a experimentar e a decidir com os graúdos. É uma boa forma de começarem a fazer ponderações, a tomarem decisões por eles próprios, a criar argumentos válidos e a viverem com as consequências (boas ou más) das escolhas que fizeram. Há que orientá-los na decisão, mas há que também ter a sua opinião em conta. E deste modo, incentivá-los a continuar!

 

Em jeito de exemplo e de elogio a Iniciativas que promovem o desporto, a atividade física e a luta à sedentarização das crianças, temos o Agrupamento de Escolas Mouzinho da Silveira na Baixa da Banheira. Foram realizada nesta última semana das férias da Páscoa, umas "Férias Desportivas" para incentivar as crianças a saltar dos sofás, a largar os tablets e a ir para a rua (neste caso, para a escola eheh) conviver com outros meninos e participar em aulas das mais diversas modalidades, que foram desde os jogos coletivos, ao KickBoxing, à patinagem, ao Hip Hop (dado por mim) e a outras tantas, durante 4 dias.

Cada um pagou uma quantia que, se formos a analisar, não foi significativa. Prefiro não falar de valores, mas posso dizer que não chegou a 40 euros por criança e que todas tiveram direito a atividades de manhã e à tarde, e ainda a almoço e lanche durante os tais 4 dias que já referi.

É de salientar que todas as atividades foram realizadas de forma voluntária pelos professores das respetivas, apenas com o intuito de reforçar a promoção da atividade fisica na vida das crianças, que era o principal objetivo dos verdadeiros organizadores desta iniciativa.

 

Como já referi, fui a professora que deu a aula de Hip Hop nestas Férias Desportivas, e devo dizer que adorei o espírito e o objetivo. E claro, adorei os meus "alunos por um dia", que se mostraram interessados e disponíveis a participar e dar o melhor de si! Obrigado pelo convite ao Prof. Sérgio, um dos grandes impulsionadores de tudo isto!

Fica já a informação de que, em princípio, estas Férias Desportivas voltarão em força em Julho, com mais atividades, mais dias, mais animação e claro... mais motivos para sair do sofá e mexer até cansar, rodeados de amigos :)

 

Toca a mexer!

 

 

 

Fotografia da aula de Hip Hop das Férias Desportivas do Agrupamento de Escolas Mouzinho da Silveira.

Por motivos de não-autorização por parte de alguns encarregados de educação à partilha de imagens dos seus educandos, as caras das crianças não estão visíveis.