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Palavra de Bailarina

Para além de dançar o Mundo, gosto de escrevê-lo

Ter | 17.03.15

Esquina de Alfama

A propósito da celebração do meu/nosso segundo aniversário de namoro, eu e o João decidimos que uma escapadinha de dois dias seria o ideal para recarregar energias. Gostamos de passear e conhecer sítios novos, mas desta vez decidimos ser turistas na cidade que representa este "nosso lado" do país e que, queiramos quer não, acaba por ser "A nossa grande cidade": Lisboa.

Eu, como grande fã do lifestyle cosmopolita, estava a modos que mais entusiasmada que ele, senhor eterno dos campos... Mas bastaram dois dias para que fosse (um pouco mais) conquistado pela energia e beleza da nossa "Menina e moça".

Instalámo-nos no Hotel Travel Park, na (gigante) Avenida Almirante Reis, e rumámos ao nosso ponto alto da noite: "A Esquina de Alfama". Do que se trata? De uma casa de Fados! Andávamos com vontade de ir a uma, porque nunca o tínhamos feito e achávamos o conceito interessante (já para não dizer "importante", uma vez que é das poucas formas que ainda temos de preservar e apoiar esta (p)arte do nosso património)... e ao descobrir um pacote da Odisseias chamado "Noite com Fado e Tradição", achámos que seria a oportunidade ideal para o fazer, a um preço mais acessível. Não é que sem desconto fosse a refeição mais cara do Mundo, mas acho que é normal termos um incentivo extra quando nos apresentam valores mais baixos!

A Esquina de Alfama situa-se, como o nome indica, num daqueles bairros (deliciosamente) típicos de Alfama. No início de uma subida após o largo que se encontra em frente ao Museu do Fado. Foi uma noite super agradável com tudo na medida certa. Chegámos às 20h, hora para a qual fizémos a reserva, e lá tínhamos os nossos lugares à espera. A essa mesma hora iniciou-se o espetáculo de fado, com guitarristas e cantores ao vivo, de um extremo talento musical. 

O que mais gostei foi do equilíbrio entre o "modo espetáculo" e o "modo restaurante". Não havia constantemente Fado, ainda que o ambiente em que estávamos inseridos nos fizesse sentir sempre nesse meio. Eram cantadas e tocadas umas quatro músicas do reportório, apenas com luzes de presença ligadas e a devida atenção que devíamos dar aos artistas... de seguida, mais meia hora se passava em normal contexto de restaurante para que pudéssemos disfrutar da companhia e da comida...e depois, "lá vinha mais Fado". Sinceramente, creio que se tivesse sido música e cantoria sem pausas, tinha-me fartado. Desta forma, não aconteceu. Tanto eu como o João pudémos apreciar cada uma das partes do espetáculo como a primeira, entre garfadas. 

A boa disposição dos trabalhadores era também com conta, peso e medida. Nada de exageros (detesto ir a algum lado em que seja constantemente levada por graxa sem sequer disfarçarem) mas também nada de antipatia. E a paixão pelo que faziam... essa notava-se a léguas. 

A comida também estava maravilhosa (comemos bacalhau assado), assim como as sobremesas caseiras (o João comeu pudim e eu comi uma mousse de chocolate). Mas para quem gosta de comer que nem um alarve, aquele lugar não é o indicado (a não ser que não tenha problemas em pagar dose dupla ou ir de seguida ao MacDonalds.)

A única coisa que tenho a dizer de menos positiva é o tempo de espera pela comida. Pode ter sido um caso pontual, atenção! E a comida via-se que tinha sido acabadinha de fazer e posta na nossa mesa... Mas, de facto, esperámos cerca de uma hora. Valeu-nos o Fado para abafar o roncar das barrigas.

Aconselho vivamente. Não só num jantar romântico ou numa celebração... vão, simplesmente! Apesar do nosso Portugal nos deixar cada vez mais envergonhados e frustrados, o Fado ainda merece a nossa consideração e apoio. É uma arte, que como todas as outras merece ser apoiada... ainda para mais, é uma arte pura e simplesmente nossa.

 

 

 

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